quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Material de Filosofia para o 4º bimestre
Patrística e Escolástica
Com a Idade
Média e as invasões bárbaras, a filosofia cristã centrou-se no ensino e na
manutenção do legado clássico nas escolas monacais. A cultura, representada
especialmente pelos livros, refugiou-se nos mosteiros e conventos, motivo pelo
qual costuma-se dizer que a igreja, sobretudo pela ação de seus monges
copistas, salvou a cultura e acabou por absorver os bárbaros da mesma maneira
que Roma absorvera culturalmente a Grécia.
Entende-se
em geral por escolástica o ensino teológico-filosófico da doutrina
aristotélico-tomista ministrado nas escolas de conventos e catedrais e também
nas universidades européias da Idade Média e do Renascimento. Como sistema
filosófico e teológico, a escolástica tentou resolver, a partir do dogma
religioso e mediante um método especulativo, problemas como a relação entre fé
e razão, desejo e pensamento; a oposição entre realismo e nominalismo; e a
probabilidade da existência de Deus.
A noção de
filosofia cristã, embora constantemente empregada, a rigor representa uma
contradição em termos, pois o cristianismo é religião e a filosofia é
conhecimento racional. Historicamente, porém, a escolástica consiste nesse
paradoxo de uma filosofia que é, ao mesmo tempo, racional e religiosa, motivo
pelo qual seu problema mais grave é o das relações entre a razão e a fé. Que
liberdade terá a razão, se o dogma limita a
priori seus movimentos? Há, entretanto, um conteúdo filosófico na obra dos
doutores da igreja e dos escolásticos levado em conta na história da filosofia.
Esse conteúdo encontra sua última justificativa na doutrina da igreja. O
pensamento devia demonstrar que a igreja, por seu método próprio, já havia
estabelecido a Verdade.
Surgindo em
um mundo cristão, seus pressupostos eram as crenças básicas em que o mundo
então se fundamentava, radicalmente distintas das que configuravam o mundo
antigo, greco-romano. Os problemas que se apresentavam à filosofia eram
suscitados pela Revelação. A idéia de Deus, uno e trino ao mesmo tempo, da
criação do mundo a partir do nada, da imortalidade pessoal, do homem à imagem e
semelhança de Deus, a noção de história, implícita no relato bíblico, criação,
pecado original, redenção e juízo final são idéias religiosas que provocavam
especulação tipicamente metafísica ou filosófica.
Filosofia cristã. A filosofia dita cristã compreende a
escolástica mas não se confunde com ela e apresenta três fases: a patrística; a
medieval, que é escolástica; e a escolástica pós-medieval. A patrística é a
filosofia dos primeiros doutores da igreja, que, em luta com o paganismo e as
heresias, se utilizaram da filosofia grega, especialmente do platonismo e do
neoplatonismo, na formulação, elucidação e defesa do dogma. No mundo moderno
romano, até a conversão de Constantino, no século IV, os cristãos representavam
a oposição, com a negação do status quo,
do politeísmo tradicional e da escravidão. Perseguidos e martirizados, eram
compelidos, no trabalho de catequese, a fazer do pensamento uma arma de defesa
e propagação da fé. Embora contenha elementos filosóficos, a patrística é
essencialmente apologética, sendo a primeira reflexão sobre o dogma em um mundo
ainda não cristão.
Na Idade
Média, a situação histórica se alterou radicalmente, pois o mundo no qual
pensavam os cristãos era um mundo cristão, quer dizer, determinado pelo
cristianismo na totalidade de suas manifestações. Havia uma crença vigente,
ponto de referência para o pensamento e critério da verdade. As divergências
ocorriam num mesmo contexto espiritual e não punham em dúvida o fundamento
desse mundo, o conteúdo da revelação, o dogma. As exigências que se
apresentavam aos filósofos cristãos já não eram as mesmas, pois o pressuposto
de que partiam não era o paganismo, mas o próprio cristianismo. Tratava-se
então de pensar em um mundo convertido, configurado em função das crenças e dos
valores cristãos. A filosofia pôde, assim, deixar de ser apologética, para
tornar-se docente, magistral ou escolástica.
Ensino cristão. Após o longo interregno que se
seguiu à morte de santo Agostinho, no ano 430, o chamado renascimento
carolíngio assinalou o advento de nova época na história do pensamento cristão.
As capitulares do ano 787 recomendavam, em todo o império, a restauração das
antigas escolas e a fundação de novas. As que então se inauguraram podiam ser
monacais, junto aos mosteiros, interiores para religiosos, exteriores para
leigos; as catedrais, junto à sede dos bispados, umas para clérigos e outras
para seculares; e as palatinas, junto às cortes, religiosas, mas abertas a
clérigos e leigos.
O programa
de ensino compreendia as artes chamadas liberais, que se desdobravam em trivium (gramática, retórica e
dialética) e quadrivium (aritmética,
geometria, astronomia e música). A escola, assim como a corporação, era uma
comunidade de trabalho, que funcionava em estreita colaboração com a igreja, o
que lhe assegurava organização estável e continuidade de pensamento. A
escolástica tornou-se, assim, um patrimônio comum, um saber tradicional, que se
transmitia e enriquecia de geração em geração.
O ensino
era, em geral, ministrado na forma de leitura, lectio, e comentário dos textos. Além das Sagradas Escrituras,
entre os livros mais estudados estavam o Organon,
de Aristóteles, traduzido em parte, o Timeu,
de Platão, os comentários de Porfírio e Boécio às obras desses filósofos, as
obras de Cícero e de Sêneca; e os textos dos Padres: Orígenes, Clemente de
Alexandria, santo Ambrósio, Pedro Lombardo e, de modo especial, santo
Agostinho, que, até o século XIII, dominou o pensamento medieval. À simples
leitura comentada dos textos, acrescentou-se, com o tempo, a discussão, questio, e a elaboração de trabalhos e
composições pessoais.
Tal
modalidade de prática docente suscitou diversos gêneros literários,
característicos da escolástica: os commentaria
(comentários), exegese dos textos; as quaestiones
(questões), que incluíam as quaestiones
disputatae (questões discutidas) e as quaestiones
quodlibetales (questões abertas), compilação de debates, registrando os
argumentos apresentados e as soluções encontradas; os trabalhos individuais, dissertações
e monografias, opuscula (opúsculos);
e finalmente, as grandes sínteses, que procuravam sistematizar a totalidade do
saber, as summae (sumas), teológicas
e filosóficas, entre as quais devem ser mencionadas, por sua excepcional
importância, a Summa Theologica e a Summa contra gentiles (Suma contra os pagãos), de santo Tomás
de Aquino.
Evolução histórica. Às etapas da evolução da filosofia
no interior do cristianismo correspondem, historicamente, as fases: de
formação, do século IX ao XII; de apogeu, no século XIII; e decadência, do
século XIV ao XVII, da filosofia escolástica. Da submissão à fé, representada
esta pela igreja, instância heterônoma em face da razão e da posição de
compromisso, a filosofia evoluiu, acompanhando a desintegração do feudalismo e
o advento do mundo burguês, até alcançar, com Descartes e o idealismo alemão,
sua plena autonomia.
A história
da escolástica apresenta-se, assim, como a história da razão humana em
determinado momento de sua evolução, exprimindo inicialmente a alienação, na
sujeição ao dogma; em seguida, a consciência da alienação, na doutrina das duas
verdades; e finalmente a negação da alienação (da negação), na ruptura
definitiva entre razão e fé, e na afirmação de que o real, em sua totalidade,
natureza e história, é racional.
A decadência
da escolástica, a partir do século XIII, exacerbou seus caracteres formais.
Desde que, com Guilherme de Ockham, as verdades da fé são consideradas
inacessíveis à razão, a filosofia, que procura compreender e explicar essas verdades,
converteu-se numa discussão de textos e temas que perderam vigência histórica.
O ensino fez emprego abusivo do silogismo, no verbalismo das fórmulas
abstratas. A complacência no debate e o dogmatismo levaram a que a palavra
escolástica passasse a ter conotação pejorativa.
"Os caminhos de inspiração aristotélica levam até
Deus".
No século VIII, Carlos Magno resolveu organizar o ensino
por todo o seu império e fundar escolas ligadas às instituições católicas. A
cultura greco-romana, guardada nos mosteiros até então, voltou a ser divulgada,
passando a Ter uma influência mais marcante nas reflexões da época. Era a
renascença carolíngia.
Tendo a educação romana como modelo, começaram a ser
ensinadas as seguintes matérias: gramática, retórica e dialética (o trivium ) e
geometria, aritmética, astronomia e música (o quadrivium ). Todas elas estavam,
no entanto, submetidas à teologia.
A fundação dessas escolas e das primeiras universidades
do século XI fez surgir uma produção filosófico-teológica denominada escolástica
(de escola).
A partir do século XIII, o aristotelismo penetrou de
forma profunda no pensamento escolástico, marcando-o definitivamente. Isso se
deveu à descoberta de muitas obras de Aristóteles, descobertas até então, e à
tradução para o latim de algumas delas, diretamente do grego.
A busca da harmonização entre a fé cristã e a razão
manteve-se, no entanto, como problema básico de especulação filosófica. Nesse
sentido, o período escolástico pode ser dividido em três fases:
Primeira fase - (do século IX ao fim do século XII):
caracterizada pela confiança na perfeita harmonia entre fé e razão.
Segunda fase - (do século XIII ao princípio do século
XIV): caracterizada pela elaboração de grandes sistemas filosóficos, merecendo
destaques nas obras de Tomás de Aquino. Nesta fase, considera-se que a
harmonização entre fé e razão pôde ser parcialmente obtida.
Terceira fase - (do século XIV até o século XVI):
decadência da escolástica, caracterizada pela afirmação das diferenças
fundamentais entre fé e razão.
A Questão dos
Universais:
O que há entre as palavras e as coisas
O método escolástico de investigação, segundo o
historiador francês Jacques Le Goff, privilegiava o estudo da linguagem (o
trivium ) para depois passar para o exame das coisas (o quadrivium ). Desse
modo surgiu a seguinte pergunta: qual a relação entre as palavras e as coisas?
Rosa, por exemplo, é o nome de uma flor. Quando a flor
morre, a palavra rosa continua existindo. Nesse caso, a palavra fala de uma
coisa inexistente, de uma idéia geral. Mas como isso acontece? O grande
inspirador da questão foi o inspirador neoplatônico Porfírio, em sua obra
Isagoge : "Não tentarei enunciar se os gêneros e as espécies existem por
si mesmos ou na pura inteligência, nem, no caso de subsistirem, se são corpóreos
ou incorpóreos, nem se existem separados dos objetos sensíveis ou nestes
objetos, formando parte dos mesmos".
Esse problema filosófico gerou muitas disputas. Era a
grande discussão sobre a existência ou não das idéias gerais , isto é, os
chamados universais de Aristóteles.
Santo
Agostinho (354-430) é considerado o último dos pensadores antigos, já que
cronologicamente e tematicamente se situa no contexto do pensamento antigo, e o
primeiro dos medievais, já que sua obra, de grande originalidade influencia
fortemente os rumos que tomaria o pensamento medieval em seus primeiros
séculos. Durante esse período, a Igreja foi a única instituição estável, e a
principal, e quase exclusivamente responsável, pela educação e pela cultura.
Foi nas bibliotecas dos mosteiros que se preservaram textos da Antigüidade
Clássica greco-romana. É claro que de forma altamente seletiva, já que foram
preservados essencialmente textos considerados compatíveis com o cristianismo,
bem como textos de pensadores dos primeiros séculos da era cristã.
Entre 412 e
427, Santo Agostinho escreveu "A Cidade de Deus", um livro cuja base
era a filosofia grega e que exerceria forte influência nos tempos medievais.
Nele respondeu a tais acusações, argumentando que coisas piores haviam ocorrido
em tempos pré-cristãos. Que os deuses pagãos eram perversos. Ele não negava a
existência de entidades como Baco, Netuno e Júpiter, considerados demônios.
Demônios que
ordenavam aos homens, por exemplo, que criassem peças teatrais, definidas por
Santo Agostinho como "espetáculos da imundície". Em razão desses
deuses, Roma sempre fora perversa e pecaminosa.
Com o
cristianismo, ela se salvaria. E, se a cidade dos homens fora invadida, pouco
importava, já que o objetivo maior dos homens era a salvação por meio da
bondade para atingir a cidade de Deus, a sociedade dos eleitos.
A busca
central não era a cidadania na sociedade dos homens, mas a salvação no reino de
Deus.
Para falar
sobre o mal que habitaria os homens, Santo Agostinho relatou, em suas
"Confissões" - história apaixonada de sua descoberta de Deus - , que
na infância roubara pêras da árvore de um vizinho, embora não estivesse com
fome e na casa de seus pais houvesse melhores. Fizera-o por maldade e
considerava tal ato um de seus maiores pecados. O pecado para ele habitava
todos os homens. E, se os bebês são inocentes, não é porque lhes falte o desejo
de fazerem o mal, mas por carecerem de força. Assim era Santo Agostinho.
Agostinho
considera a filosofia praticamente, platonicamente, como solucionadora do problema
da vida, ao qual só o cristianismo pode dar uma solução integral. Todo o seu
interesse central está portanto, circunscrito aos problemas de Deus e da alma,
visto serem os mais importantes e os mais imediatos para a solução integral do
problema da vida.
Tomás de Aquino (1221 - 1274)
Segundo Tomás de Aquino é
a revelação divina que possibilita formularmos enunciados sobre a condição
humana e sobre o mundo em que vivemos, é por isso que a preocupação inicial do
pensamento do filósofo e teólogo é Deus e posteriormente o homem e o mundo. A
filosofia por si só não consegue esgotar os conhecimentos que podemos ter do
mundo e de nós mesmos. Para que possamos explorar de maneira mais abrangente a
compreensão e a percepção do mundo e dos homens, necessitamos da sacra doutrina
revelada por Deus. A fé aperfeiçoa a condição de entendimento da razão e a
razão é o argumento aceito por todos os homens para esclarecer os assuntos da
fé.
Cinco
provas da existência de Deus
Tomás, seguindo argumentações lógicas,
busca provar a existência de Deus através de cinco raciocínios de causa e
conseqüência. O primeiro raciocínio é o da modificação e é o que ele considera
ser o mais evidente. Os nossos sentidos nos mostram que as coisas do mundo
modificam, ora qualquer coisa que modifica é porque sofreu ação de outra coisa.
As coisas não podem ser causa das próprias mudanças, tudo que foi modificado
foi modificado por outra coisa. Se as modificações que ocorrem no mundo foram
ligadas em forma de causa e efeito, deve existir uma causa última que
desencadeou todos os outros movimentos, todas as outras modificações e essa
causa última de todas as modificações é Deus, pois ele é imutável, não se
modifica e é único.
O
segundo raciocínio é o principio causal. As coisas que existem tem
necessariamente que terem sido feitas por algo que seja anterior a ela. O
principio causal de uma pessoa são seus pais e da mesma forma todas as coisas
tem o seu principio causal. Se raciocinarmos seguindo o principio de causa e
efeito e formos buscar no passado a causa de todas as coisas, chegaremos a uma
causa única que causou todas as outras coisas, essa causa única é Deus.
A
existência necessária é o terceiro raciocínio. No mundo encontramos muitas
coisas, ou todas as coisas, que podem ser e podem também não ser, ou ser e
deixar de ser o que são. Uma pessoa é, mas pode deixar de ser. Tomás acreditava
que é impossível que as coisas sejam sempre, um dia o que é deixará de ser. Mas
para que as coisas existam, mesmo que temporariamente, é necessário que exista
algo que exista sempre, esse algo que sempre existiu e sempre existirá é Deus.
O
quarto raciocínio é o dos graus de perfeição. De todas as coisas que existem no
mundo podemos classificá-las em melhores ou piores. Uma casa pode ser melhor
que outra casa que pode ser pior do que uma terceira. Quando seguimos esse
pensamento estamos organizando as coisas conforme seu valor, algumas coisas são
mais ou menos perfeitas que outras. Na sequência, deve haver algo que seja bom,
verdadeiro, virtuoso e perfeito ao máximo grau. A mais elevada perfeição, para
Tomás, é Deus.
O
último dos cinco raciocínios lógicos para provarmos a existência de Deus
segundo Tomás é o raciocínio do finalismo. Muitas coisas que não tem em si
conhecimento de sua finalidade buscam mesmo assim um fim em seus movimentos,
como algumas plantas que tem por finalidade produzir frutos. Como o
conhecimento da finalidade da planta - produzir frutos - não está na planta,
ele deve estar em algum outro ser, e esse ser é Deus.
Tomás
acreditava que o homem é formado por uma natureza racional, uma natureza que
tem a capacidade de conhecer e de escolher livremente e é nessa capacidade de
escolha que está a raiz do mal, que é a ausência do bem. O homem, para iluminar
as suas livres ações em direção do bem, tem à sua disposição a lei eterna, a
lei natural e a lei dos homens, e acima dessas três lei tem ainda a lei divina
que é a lei manifesta por Deus. A lei eterna é o projeto de Deus para todo o
universo. A lei natural, da qual o homem também tem capacidade de conhecimento,
tem por fundamento o fazer o bem e evitar o mal, pois dessa forma ele vai
proteger a sua existência, e isso também é um bem.
A
lei humana nasce da necessidade que o homem tem de viver em sociedade e de
evitar que vivendo socialmente alguns homens cometam o mal, que leva à
destruição da sociedade em que vivem. As leis humanas tem por objetivo
preservar o bem comum. Mas se as leis humanas não respeitarem as lei naturais
ou forem contra as leis divinas, elas deve ser desobedecidas, pois são
injustas.
Tomás
busca incluir em um só conjunto a filosofia e a fé. Para representar a
filosofia ele toma principalmente as obras de Aristóteles, e para representar a
fé ele utiliza as revelações de Deus feita aos homens e da qual a Igreja
Católica é guardiã.
A
finalidade suprema do homem é Deus e a razão é dependente da fé. A essência do
homem, a sua natureza, é composta pelo corpo e pela alma, o corpo também faz
parte da essência do homem, pois ele é o responsável pelas sensações, que não
são percebidas somente pela alma.
Sentenças:
- Somente Cristo é verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros.
- Você não possui a verdade, mas é a verdade que te possui.
- Os princípios inatos na razão se demonstram verdadeiros ao ponto de
não ser possível pensar que eles sejam falsos.
- Eu não sou a minha alma.
- Humildade é a virtude que freia no homem o desejo de se elevar além do
que merece.
- Deus é um ato puro e não em potência, ele tem em si um poder ativo
infinito sobre todas as outras coisas.
- A alma se conhece pelos seus atos.
- Justiça sem misericórdia é crueldade.
- O que se recebe se recebe ao modo do recebedor.
- Tema ao homem de um livro só.
- Para quem tem fé a explicação não é necessária. Para quem não tem fé
nenhuma explicação é suficiente.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Material para o terceiro bimestre dos terceiros
O período Helenista
·
O helenismo refere-se
ao conhecimento filosófico produzido entre a morte do Alexandre e o início da filosofia medieval.
O helenismo refere-se
ao conhecimento filosófico produzido entre a morte do Alexandre e o início da filosofia medieval.
·
No ano de 338 a.C., na Guerra da Queronéia, a
Grécia foi derrotada pela Macedônia. Houve a perda da autonomia político-territorial
da Grécia.
·
Principal característica do período: fusão
entre a tradição grega e a cultura oriental. Disseminação do pensamento grego
pela região da Síria, Egito, Babilônia, etc.
·
Principais pensadores do período: Plotino,
Cícero, Zenão e Epicuro.
·
O conhecimento produzido pela ciência do
helenismo se desenvolveu em diferentes direções: matemática, geometria,
astronomia e geografia. Os filósofos helenistas estavam preocupados com a ética
(regras da condução de vida), busca pela felicidade individual,
imperturbabilidade.
Principais perspectivas do período
helenístico:
*
Neopitagorismo: retomada do pensamento de Pitágoras, sobretudo de sua concepção
espiritualista (imortalidade da alma, reencarnação, harmonia espiritual com o
cosmos). Oposição ao materialismo;
*
Neoplatonismo: conhecemos a vida e o pensamento de Plotino a partir da obra
“Vida de Plotino”, escrita pelo seu discípulo Porfírio. Característica central
do neoplatonismo: conciliação entre o pensamento de Platão e o pitagorismo com
alguns traços da cultura oriental;
*
Estoicismo: Zenão de Citio foi seu fundador, em 300 a.C.. Para o estoicismo a
filosofia seria composta de três partes: física, lógica e ética. Acreditavam
numa estreita relação entre o indivíduo (microcosmos) e o universo (macrocosmo);
*
Epicurismo: perspectiva filosófica fundada por Epicuro. Assim como o
estoicismo, buscavam a felicidade individual, mas discordavam quanto ao caminho
pra isso.
No período Helenista desenvolveram-se
várias escolas filosóficas. Podemos destacar:

O CINISMO:
Esta escola pode ser apresentada como aquela
que caracteriza a decadência moral da sociedade grega e macedônica. Pode-se
dizer que o personagem que melhor caracteriza essa escola é Diógenes que em
pleno meio dia, com uma vela acesa andava pelas ruas dizendo: "procuro o
homem". Cinismo vem de Cão (xýon) o que se justifica, pois o pensador
afirmava: "faço festa aos que me dão alguma coisa, lato contra os que não
me dão nada e mordo os celerados" (Diógenes, Apud, REALE; ANTISERI, 1990,
p. 233). Num banquete, ao lhe atirarem osso ele teria urinado em cima, como
fazem os cães. "Diogenes tomava sol quando Alexandre, o homem mais
poderoso da terra se aproximou e lhe disse: 'pede-me o que quiseres'; ao que
Diógenes respondeu: 'afasta-te do meu sol'" (ibidem, 1990, p. 233). A
partir disso já podemos ter uma idéia do que essa escola pregava: desprezo
àquilo que a sociedade dominante considera valor e valorização da simplicidade
do viver. Foi uma escola que atravessou os séculos e podemos dizer que a postura
socrática esteve sempre muito próxima do ideário cínico. Aliás, se levarmos em
conta a afirmação de Gaarder podemos dizer que foi com Sócrates que nasceu o
cinismo: diz o autor: "Conta-se que, um dia, Sócrates parou diante de uma
tenda do mercado em que estavam expostas diversas mercadorias. Depois de algum
tempo, ele exclamou: 'Vejam quantas coisas o ateniense precisa para viver!'.
Naturalmente ele queria dizer com isto que ele próprio não precisava de nada
daquilo.
Esta
postura de Sócrates foi o ponto de partida para a filosofia cínica, fundada em
Atenas por Antístenes – um discípulo de Sócrates -, por volta de 400 a.C."
(Gaarder, 1998, p. 147, grifo no original)
O ESTOICISMO:
Esta
escola caracteriza-se pelo espírito de completa austeridade física e moral. Ou
seja, o Homem deve suportar os sofrimentos, fugir dos prazeres fáceis e
afastar-se das permissividades e licenciosidades. A sabedoria consiste em
manter uma vida austera. A pratica da virtude "consiste na apatia
(apátheia), isto é, na anulação das paixões" (MONDIN, 1982, p. 112) Essa
corrente filosófica influenciou profundamente o cristianismo, marcando-o até
nossos dias, como, por exemplo, a prática da penitência.

A Moral e a Política dos Estóicos:
No
pensamento dos estóicos, o fim supremo, o único bem do homem, não é o prazer, a
felicidade, mas a virtude; não é concebida como necessária condição para
alcançar a felicidade, e sim como sendo ela própria um bem imediato. Com o
desenvolvimento do estoicismo, todavia, a virtude acaba por se tornar meio para
a felicidade da tranqüilidade, da serenidade, que nasce da virtude negativa da
apatia, da indiferença universal. A felicidade do homem virtuoso é a libertação
de toda perturbação, a tranqüilidade da alma, a independência interior, a
autarquia.
Como
o bem absoluto e único é a virtude, assim o mal único e absoluto é o vício. E
não tanto pelo dano que pode acarretar ao vicioso, quanto pela sua
irracionalidade e desordem intrínseca, ainda que se acabe por repudiá-lo como
perturbador da indiferença, da serenidade, da autarquia do sábio. Tudo aquilo
que não é virtude nem vício, não é nem bem nem mal, mas apenas indiferença;
pode tornar-se bem se for unido com a virtude, mal se for ligado ao vício; há o
vício quando à indiferença se ajunta a paixão, isto é, uma emoção, uma
tendência irracional, como geralmente acontece.
A
paixão, na filosofia estóica, é sempre e substancialmente má; pois é movimento
irracional, vício da alma - quer se
trate de ódio, quer se trate de piedade. De tal forma, a única atitude do sábio
estóico deve ser o aniquilamento da paixão, até a apatia. O ideal ético estóico
não é o domínio racional da paixão, mas a sua destruição total, para dar lugar
unicamente à razão: maravilhoso ideal de homem sem paixão, que anda como um
deus entre os homens. Daí a guerra justificada do estoicismo contra o
sentimento, a emoção, a paixão, donde derivam o desejo, o vício, a dor, que
devem ser aniquilados.
A
virtude estóica é, no fundo, a indiferença e a renúncia a todos os bens do
mundo que não dependem de nós, e cujo curso é fatalmente determinado. Por
conseguinte, indiferença e renúncia a tudo, salvo e pensamento, a sabedoria, a
virtude, que constituem os únicos bens verdadeiros: indiferença e renúncia à
vida e à morte, à saúde e à doença, ao repouso e à fadiga, à riqueza e à
pobreza, às honras e à obscuridade, numa palavra, ao prazer e ao sofrimento -
pois o prazer é julgado insana vaidade da alma. Dada a indiferença estóica do
suicídio como voluntário e moral afastamento do mundo; isto não se concilia,
porém, com a virtude da fortaleza que o estoicismo reconhece e louva, e nem se
pode explicar racionalmente o suicídio, se a ordem do universo é racional, como
precisamente afirmam os estóicos.
O
estóico pratica esta indiferença e renúncia para não ser perturbado, magoado
pela possível e freqüente carência dos bens terrenos, e para não perder, de tal
maneira, a serenidade, a paz, o sossego, que são o verdadeiro, supremo, único
bem da alma. O sábio é beato, porque, inteiramente fechado na sua torre de
marfim, nada lhe acontece que não seja por ele querido, e se conforma com o
demais, sem saudades e sem esperanças; pois sabe que tudo é efeito de um
determinismo universal. A serenidade, a apatia dos estóicos seria, sem dúvida,
fruto de uma fatigosa conquista, de uma dura virtude. Mas é uma virtude
absolutamente negativa. Com efeito, quando o homem se torna indiferente a tudo,
e a tudo renuncia, salvo o seu pensamento - cujo conteúdo é, em definitivo,
esta mesma renúncia -, não lhe resta efetivamente mais nada. Não Deus, pois no
sistema estóico, é uma pura palavra; não a alma, destinada a resolver-se na
matéria. A sabedoria estóica é ação negadora da expansão das forças
espirituais, virtude corrosiva, morte moral.
Pelo
que diz respeito à política, manifesta-se na filosofia estóica um racionalismo
cosmopolita radical a propósito da sociedade estatal: o homem, político por
natureza, torna-se cosmopolita por natureza. Diz o estóico Musônio: "O
mundo é a pátria comum de todos os homens". Tal cosmopolitismo foi fecundo
em progresso, em civilização humana e moral. Abre-se caminho a um sentimento de
caridade, de perdão, até para os infelizes e os escravos, os estrangeiros e os
inimigos, em virtude da doutrina que afirma a identidade da natureza humana,
sentimento este inteiramente desconhecido ao mundo antigo, clássico, onde
campeia solitária uma justiça, que existe, porém, apenas para os concidadãos,
livres e íntegros. E até começam a nascer instituições caritativas para com os
pobres e os doentes. Destarte, esse cosmopolitismo, a que os estóicos não podem
fornecer uma base racional e metafísica, promove todavia os conceitos de
sociedade universal, de direito natural, de lei racional, conceitos que
deveriam ser deduzidos da natureza racional do homem.
Lucius Annaeus Sêneca, filósofo do Império
Romano, Foi um importante representante do estoicismo
(doutrina universal que defende a idéia de que o universo é regido por uma
lógica universal). Era um defensor da vida simples, da ética e do destino
predestinado. Influenciou também o pensamento de João Calvino,
importante representante da reforma protestante.
Frases de Sêneca
- "Cada um se
lança à vida, sofrendo da ânsia do futuro e do tédio do presente".
- "Alguns, sem terem dado rumo a suas vidas, são flagrados pelo destino esgotados sonolentos".
- "Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida".
- "A parte mais importante do progresso é o desejo de progredir".
- "Alguns, sem terem dado rumo a suas vidas, são flagrados pelo destino esgotados sonolentos".
- "Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida".
- "A parte mais importante do progresso é o desejo de progredir".
EPICURISMO
Epicuro, fundador da
escola que tomou o seu nome, nasceu em Atenas, provavelmente, em 341 a.C., do
ateniense Néocles, e foi criado em Samos. A mãe praticava a magia. Cedo
dedicou-se à filosofia, sendo iniciado por Nausífanes de Teo no sistema de Demócrito. Em 306 abriu a sua
famosa escola em Atenas, nos jardins da sua vila, que se tornaram centro das
reuniões aristocráticas dos seus admiradores, discípulos e amigos. Epicuro
expôs a sua doutrina num grande número de escritos, pela maior parte perdidos.
Faleceu em 270 a.C. com setenta anos de idade.
A originalidade deveria manifestar-se na vida.
O
Pensamento: *Gnosiologia e Metafísica
Também
o epicurismo - como o estoicismo - divide a filosofia em lógica, física e
ética; também subordina a teoria à pratica, a ciência à moral, para garantir ao
homem o bem supremo, a serenidade, a paz, a apatia. A filosofia é a arte da
vida. Precisamente, é tarefa do conhecimento do mundo, da física - diz Epicuro
- libertar o homem dos grandes temores que ele tem a respeito da sua vida, da
morte, do além-túmulo, de Deus e fazer com que ele atue de conformidade.
Portanto, recorre Epicuro à física atomista, mecanicista, democritiana, pela
qual também os deuses vêm a ser compostos de átomos, e - habitadores felizes de
intermundos - desinteressam-se por completo dos homens. Aliás, não é excluído o
fato de que a necessidade universal oprimiria o homem ainda mais do que o
arbítrio divino. Igualmente, a alma - formada de átomos sutis, mas sempre
materiais - perece com o corpo; daí, nenhuma preocupação com a morte, nem com o
além-túmulo: seria igualmente absurdo preocupar-se com aquilo que se segue à
morte, como com aquilo que precede o nascimento.
* (teoria do saber, do conhecer)
Como
a gnosiologia epicurista é rigorosamente sensista, a metafísica epicurista é
rigorosamente materialista: quer dizer, resolve-se numa física. Epicuro,
seguindo as pegadas de Demócrito, concebe os elementos últimos constitutivos da
realidade como corpúsculos inúmeros, eternos, imutáveis, invisíveis,
homogêneos, indivisíveis (átomos), iguais qualitativamente e diversos
quantitativamente - no tamanho, na figura, no peso. Também segundo Epicuro, os
átomos estão no espaço vazio, infinito, indispensável para que seja possível o
movimento e, consequentemente, a origem e a variedade das coisas.
A Moral e a Religião
A
moral epicurista é uma moral hedonista. O fim supremo da vida é o prazer
sensível; critério único de moralidade é o sentimento. O único bem é o prazer,
como o único mal é a dor; nenhum prazer deve ser recusado, a não ser por causa
de conseqüências dolorosas, e nenhum sofrimento deve ser aceito, a não ser em
vista de um prazer, ou de nenhum sofrimento menor. No epicurismo não se trata,
portanto, do prazer imediato, como é desejado pelo homem vulgar; trata-se do
prazer refletido, avaliado pela razão, escolhido prudentemente, sabiamente,
filosoficamente. É mister dominar os prazeres, e não se deixar por eles
dominar; ter a faculdade de gozar e não a necessidade de gozar. A filosofia
toda está nesta função prática. Este prazer imediato deveria ficar sempre
essencialmente sensível, mesmo quando Epicuro fala de prazeres espirituais,
para os quais não há lugar no seu sistema, e nada mais seriam que complicações
de prazeres sensíveis. O prazer espiritual diferenciar-se-ia do prazer
sensível, porquanto o primeiro se estenderia também ao passado e ao futuro e
transcende o segundo, que é unicamente presente. Verdade é que Epicuro mira os
prazeres estéticos e intelectuais, como os mais altos prazeres. Aqui, porém, se
ele faz uma afirmação profunda, está certamente em contradição com a sua
metafísica materialista.
O
epicurismo, portanto, considerado vulgarmente como propulsor de devassidão e
sensualidade, representa, inversamente, uma norma de vida ordinária e
espiritual, até um verdadeiro pessimismo e ascetismo, praticamente ateu.
A
serenidade do sábio não é perturbada pelo medo da morte, pois todo mal e todo
bem se acham na sensação, e a morte é a ausência de sensibilidade, portanto, de
sofrimento. Nunca nos encontraremos com a morte, porque quando nós somos, ela
não é, quando ela é nós não somos mais, Epicuro, porém, não defende o suicídio
que poderia justificar com maior razão do que os estóicos.
Dado
este conceito da vida concebida como liberdade, paz e contemplação, é natural
que Epicuro seja hostil ao matrimônio e à família, aliás geralmente
desvalorizado no mundo grego. Epicuro é também hostil à atividade pública, à
política considerando a família e a pátria como causas de agitações e inimigos
da autarquia.
Epicuro
venera os deuses, não para receber auxílio, mas porque eles encarnam o ideal
estético grego da vida, ideal que tem uma expressão concreta precisamente nas
belas divindades do panteão helênico. Então, se os deuses não proporcionam ao
homem nenhuma vantagem prática, proporcionam-lhe contudo o bem da elevação, que
importa na contemplação do ideal. É preciso venerá-los para imitá-los. Deste modo,
Epicuro, proclamado ateu, teria praticado - entre os limites impostos pelo
pensamento grego e pelo seu pensamento - o mal da religião, uma religião
desinteressada, uma espécie de puro amor de Deus dos ascetas e dos místicos.
Ceticismo e Ecletismo
O ceticismo apresenta-se
mais coerente do que as escolas precedentes, especialmente do que o estoicismo,
com os fins práticos de uma filosofia da renúncia, da indiferença, do sossego.
É o ceticismo a última palavra da sabedoria antiga, desesperada por não ter
podido resolver o problema da vida mediante a razão. O estoicismo procura
realizar a apatia ainda mediante uma metafísica positiva, embora imperfeita,
incoerente. O epicurismo tende a realizar o mesmo fim com uma metafísica
negativa, negando todo absoluto e transcendente. O ceticismo visa sempre um fim
último ético-ascético, sem qualquer metafísica, mesmo negativa.
Através
da mais absoluta indiferença, prática e teorética, procura-se realizar
finalmente tão almejada paz. A felicidade não é mais uma coisa positiva, nem
está no saber e não se pode alcançar mediante o saber, mas pode ser alcançada
unicamente negando o saber. Chega-se, destarte, à destruição de todos os
valores. Substancialmente, a grande metafísica platônico-aristotélica é posta
de lado, mas não é atacada pelo ceticismo. Persiste nos céticos uma fé
nostálgica e realista e o conceito da objetividade da ciência: o ser, o objeto,
existem, mas não se podem conhecer por falta de meios. Diz Argesilau:
"Deus unicamente conhece a verdade, que é inacessível ao homem".
O
ceticismo clássico começa com Pirro de Elis (365-275 a.C., mais ou menos), cuja
escola terminou pouco depois do seu discípulo Timon. Encarna-se na média
academia com Argesilau e Carnéades. E, enfim, surge de novo na forma pirroniana
com Enesidemo e Sexto Empírico, em princípios da era vulgar. O ceticismo
critica o conhecimento sensível, bem como o intelectual, e também a opinião. A
primeira escola cética serve-se, geralmente, do relativismo sofista; a segunda
afirma-se de modo original graças a Carnéades; a terceira, de tendência
pirroniana, faz uso da dialética eleática, da tese e da antítese.
O ecletismo
Apresenta-se como um sistema afim, embora
imensamente inferior ao ceticismo. Também o ecletismo, como o ceticismo,
substitui ao critério da verdade o da verossimilhança, embora acriticamente. O
nem-nem dos céticos é mudado em e-e pelos ecléticos; se nada é verdadeiro, tudo
vale igualmente. E isto basta aos fins ético-empíricos dos ecléticos,
semelhantes e diversos ao mesmo tempo dos fins éticos-ascéticos dos céticos. É
o ecletismo filosofia de espíritos pragmáticos ou decadentes, não filosóficos,
que concebem a filosofia popularmente, moralisticamente, ou não têm a força da
crítica, nem a da afirmação, que implica sempre numa crítica, pois a filosofia
é escolha, construção, sistema, organismo especulativo, e não justaposição
mecânica de peças sem vida.
O
advento de uma semelhante filosofia foi favorecido pela permanência e pela
coexistência, no período helenista e depois ainda, de várias escolas
filosóficas, que surgiram em tempos diferentes, e por demais despersonalizadas,
esvaziadas do seu conteúdo original, característico - como acontece nos
períodos de decadência especulativa - de sorte que se torna fácil a síntese
eclética, feita de abstratas generalidades ou de particularidades secundárias.
O pragmatismo eclético foi, enfim, favorecido pelo contato do pensamento grego
com a romanidade dominante, inteiramente voltada para a prática e para a ação,
cuja grande obra, portanto será não a filosofia, e sim o jus.
O
ecletismo apresenta-se como uma síntese prática ou, melhor ainda, como uma suma
de elementos estóicos, acadêmicos e também peripatéticos. Contém muito menos
elementos céticos e epicuristas, dada a natureza crítica do ceticismo, e a
coerência materialista do epicurismo. Temos precisamente, em ordem cronológica,
um ecletismo estóico, depois acadêmico e, enfim, peripatético, segundo os
elementos de uma ou de outra escola na síntese prática do próprio ecletismo.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Material Teorico 2º Bimestre
Período Clássico
Os séculos V e IV a.C. na Grécia Antiga foram de grande desenvolvimento cultural e científico. O esplendor de cidades como Atenas, e seu sistema político democrático, proporcionou o terreno propício para o desenvolvimento do pensamento. É a época dos sofistas e do grande pensador Sócrates.
Os sofistas, entre eles Górgias, Protágoras, Hípas, Demócrito, Leontinos e Abdera, defendiam uma educação, cujo objetivo máximo seria a formação de um cidadão pleno, preparado para atuar politicamente para o crescimento da cidade. Dentro desta proposta pedagógica, os jovens deveriam ser preparados para falar bem (retórica), pensar e manifestar suas qualidades artísticas.
Sócrates começa a pensar e refletir sobre o homem, buscando entender o funcionamento do Universo dentro de uma concepção científica. Para ele, a verdade está ligada ao bem moral do ser humano. Ele não deixou textos ou outros documentos, desta forma, só podemos conhecer as idéias de Sócrates através dos relatos deixados por Platão.
Sócrates começa a pensar e refletir sobre o homem, buscando entender o funcionamento do Universo dentro de uma concepção científica. Para ele, a verdade está ligada ao bem moral do ser humano. Ele não deixou textos ou outros documentos, desta forma, só podemos conhecer as idéias de Sócrates através dos relatos deixados por Platão.
Platão foi discípulo de Sócrates e defendia que as idéias formavam o foco do conhecimento intelectual. Os pensadores teriam a função de entender o mundo da realidade, separando-o das aparências.
Outro grande sábio desta época foi Aristóteles que desenvolveu os estudos de Platão e Sócrates. Foi Aristóteles quem desenvolveu a lógica dedutiva clássica, como forma de chegar ao conhecimento científico. A sistematização e os métodos devem ser desenvolvidos para se chegar ao conhecimento pretendido, partindo sempre dos conceitos gerais para os específicos.
Outro grande sábio desta época foi Aristóteles que desenvolveu os estudos de Platão e Sócrates. Foi Aristóteles quem desenvolveu a lógica dedutiva clássica, como forma de chegar ao conhecimento científico. A sistematização e os métodos devem ser desenvolvidos para se chegar ao conhecimento pretendido, partindo sempre dos conceitos gerais para os específicos.
Sócrates nasceu em Atenas, no subúrbio de Alopeke, 469 anos antes de Cristo. Seu pai era escultor e sua mãe, parteira. O método socrático, como desde antigamente se observou, tinha um pouco das qualidades das profissões de seus pais. Sócrates não impunha o conhecimento, mas à maneira da profissão materna, ajudava para que ele viesse à tona de dentro do discípulo, que o produzia por si mesmo. Sua arte de dialogar, conhecida como maiêutica, provocava aquilo que ficou conhecido como "a parturição das idéias". Por outro lado, sua intenção era a formação autônoma da pessoa. Era converter, à maneira da profissão paterna, uma massa natural e sem forma em uma bela representação individual do espírito. Daí resultava que o conhecimento primordial do homem deve ser o conhecimento de si mesmo.
Embora, pelo que se supõe, não tenha sido discípulo de nenhuma escola filosófica específica, Sócrates certamente sabia de sua existência e compreendia o alcance de suas doutrinas. Sua formação era inata, pessoal, superando o conhecimento de outras escolas doutrinárias provavelmente através de profunda meditação.
Havia em Delfos um templo dedicado ao deus Apolo, onde a sacerdotisa Pítia formulava oráculos, predizendo o futuro aos que o consultavam. Conforme narra Platão em sua Defesa de Sócrates, foi o oráculo de Delfos que um dia afirmou a Querofonte não haver "ninguém mais sábio do que Sócrates". Sócrates tomou isso como uma orientação divina pela qual pautou toda sua vida, dedicando-se incessantemente à tarefa de educador e mestre.
A exposição da concepção lógica e moral de Sócrates é inseparável da narração dos fatos de sua vida, pois sua vida foi a realização, passo a passo, de sua filosofia.
Sócrates e Atenas
A relação entre Sócrates e a democracia ateniense foi de certa forma conturbada, apesar de ser uma figura de grande renome e popularidade na cidade. O filósofo passava seus dias a dialogar em locais públicos, não cobrando por isso, ao contrário do que era costume na época. Era um feroz crítico dos Sofistas, filósofos que aceitavam "doações" da aristocracia ateniense em troca de seus "ensinamentos".
Sócrates foi proeminentemente satirizado em diversas peças cômicas, como em Aristófanes (As Nuvens), produzida quando Sócrates tinha cerca de quarenta anos. Sócrates aparece em outras peças de Aristófanes como As Aves, por ser um suposto amante de Esparta, e também em peças escritas por Calias, Eupólis e Teleclides, em todas Sócrates e os sofistas eram criticados pelas inovações que seu pensamento representava para seus contemporâneos.
Durante os breves períodos de ditadura em Atenas (a dos Trinta e a dos Quatrocentos), Sócrates foi pouco importunado e continuou a lecionar publicamente (durante a ditadura dos Trinta, Sócrates foi "proibido de falar com os jovens" durante um certo tempo). Alguns autores inclusive citam o fato de que seus ensinamentos continham grande conteúdo anti-democrático.
Vivendo durante o tempo de transição entre o auge do império ateniense e sua derrota para Esparta e seus aliados na guerra do Peloponeso. Quando Atenas procurava recuperar-se da humilhante derrota, o tribunal ateniense, instigado por três figuras importantes na época, julgou Sócrates por impiedade e corrupção de jovens, considerou-o culpado, condenando-o à morte. Porém, não quis se exilar, preferindo beber cicuta entre os amigos.
Sócrates no leito de morte, Jacques-Louis David, 1787
Sócrates costumava citar a sabedoria como sendo a base de sua exortação moral. Da mesma maneira, ele enfatizava que a maior das virtudes consistia em cuidar das coisas da alma, que deveria preocupar-se com a busca da verdade e do entendimento, e que "a riqueza não traz felicidade, porém a bondade traz riqueza e toda sorte de bênçãos, tanto para o indivíduo quanto para o país", e que "a vida sem provações não vale a pena ser vivida". Sócrates também argumentava que "estar errado é melhor do que fazer errado".
Sofisma
Um sofisma (do grego antigo σόϕισμα -ατος, derivado de σοϕίξεσϑαι "fazer raciocínios capciosos") em Filosofia é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário às suas próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentado-a sob esquemas que parecem seguir as regras da lógica.
Historicamente o termo sofisma, no seu primeiro e mais comum significado, é equivalente ao paralogismo matemático, que é uma demonstração aparentemente rigorosa que, todavia, conduz a um resultado nitidamente absurdo. Atualmente, no uso freqüente e do senso comum, sofisma é qualquer raciocínio caviloso ou falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé.
As palavras sofista, sofística[1] (do grego antigo: σοφιστής, σοφιστικός; derivada σοφός - "sábio", "instruído"), assumem diferentes significados ao longo da história da filosofia, que merecem ser distinguidos:
- Chama-se sofista ou sofístico, um conjunto de pensadores, oradores e professores gregos do século V a.C. (e do início do século seguinte).
- Em Platão, seguido da maior parte dos filósofos até aos nossos dias, uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para fins geralmente imorais.
- O desenvolvimento da reflexão e o ensino da retórica, em princípio a partir do século I d.C., na prática a partir do século II, no Império romano.
Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de professores retóricos na Grécia antiga. O uso moderno da palavra, sugestionando um argumento inválido composto de raciocínio especioso, não é necessariamente o representante das convicções do sofistas originais, a não ser daquele que geralmente ensinaram retórica. Os sofistas só são conhecidos hoje pelas escritas de seus oponentes (mais especificamente, Platão e Aristóteles) que dificulta formular uma visão completa das convicções dos sofistas.
Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade.
Outro sofista famoso foi Górgias de Leontini, que afirmava que o 'ser' não existia. Segundo Górgias, mesmo que se admitisse que o 'ser' exista, é impossível captá-lo. Mesmo que isso fosse possível, não seria possível enunciá-lo de modo verdadeiro e, portanto, seria sempre impossível qualquer conhecimento sobre o 'ser'.
Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foi adotada também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.
Filosofando:
“Só sei que nada sei.
Uma coisa posso afirmar e provar com palavras e atos: é que nos tornamos melhores se cremos que é nosso dever seguir em busca da verdade desconhecida.
Se um asno tivesse me dado um coice, eu deveria levá-lo ao tribunal?
À morte não dou mais importância que a um figo podre, mas dou o máximo valor a não cometer nenhuma injustiça ou impiedade.
Enquanto tiver alento, jamais deixarei de filosofar, de exortá-los, de ministrar ensinamentos, a qualquer um de vocês que eu encontrar. Essas foram às ordens que o Deus me deu.
E outra coisa não faço que andar por aí, convencendo a todos, jovens e velhos, a não cuidarem tanto do corpo e das riquezas e sim de melhorarem a alma o mais possível, alertando-os que não é das posses materiais que vem a virtude, mas é da virtude que vêm as posses e outros bens.
Não conhecer o próprio valor é ignorar a si mesmo.”
PLATÃO:
Platão de Atenas, 428/27 a.C. - 347 a.C., filósofo grego. Discípulo de Sócrates, fundador da Academia e mestre de Aristóteles. Seu nome verdadeiro era Aristócles; Platão era um apelido que, provavelmente, fazia referência à sua característica física, tal como o porte atlético ou os ombros largos, ou ainda a sua ampla capacidade intelectual de tratar de diferentes temas. Πλάτος (plátos), em grego significa amplitude, dimensão, largura. Sua filosofia é de grande importância e influência. Platão ocupou-se com vários temas, entre eles ética, política, metafísica e teoria do conhecimento.
Pensamento platônicoEm linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidade: os inteligíveis e os sensíveis. Os primeiros são realidades, mais concretas, permanentes, imutáveis, iguais a si mesmas. As segundas são todas as coisas que nos afetam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades inteligíveis.
Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Idéias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como hipótese no diálogo Fédon e constitui uma maneira de garantir a possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenômenos.
Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das Idéias. Cada objeto concreto que existe participa, junto com todos os outros objetos de sua categoria, de uma Idéia perfeita. Uma determinada caneta, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho, etc). Outra caneta terá outros atributos, sendo ela também uma caneta, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com que as duas sejam canetas é, para Platão, a Idéia de Caneta, perfeita, que esgota todas as possibilidades de ser caneta.
A ontologia de Platão diz, então, que algo é na medida em que participa da Idéia desse objeto. No caso da caneta é irrelevante, mas o foco de Platão são coisas como o ser humano, o bem ou a justiça, por exemplo.
O problema que Platão propõe-se a resolver é a tensão entre Heráclito e Parmênides: para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está em constante movimento e é uma ilusão a estaticidade, ou a permanência de qualquer coisa; para o segundo, o movimento é que é uma ilusão, pois algo que é não pode deixar de ser e algo que não é não pode ser, assim, não há mudança.
Ou seja (por exemplo), o que faz com que determinada árvore seja ela mesma desde o estágio de semente até morrer, e o que faz com que ela seja tão árvore quanto outra de outra espécie, com características tão diferentes? Há aqui uma mudança, tanto da árvore em relação a si mesma (com o passar do tempo ela cresce) quanto da árvore em relação a outra. Para Heráclito, a árvore está sempre mudando e nunca é a mesma, e para Parmênides, ela nunca muda, é sempre a mesma e é uma ilusão sua mudança.
Platão resolve esse problema com sua Teoria das Idéias. O que há de permanente em um objeto é a Idéia, mais precisamente, a participação desse objeto na sua Idéia correspondente. E a mudança ocorre porque esse objeto não é uma Idéia, mas uma incompleta representação da Idéia desse objeto. No exemplo da árvore, o que faz com que ela seja ela mesma e seja uma árvore (e não outra coisa), a despeito de sua diferença daquilo que era quando mais jovem e de outras árvores de outras espécies (e mesmo das árvores da mesma espécie) é sua participação na Idéia de Árvore; e sua mudança deve-se ao fato de ser uma pálida representação da Idéia de Árvore.
Platão também elaborou uma teoria gnosiológica, ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma Teoria do conhecimento. Segundo ele, ao vermos um objeto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Idéia daquele objeto, que viu no mundo das Idéias. Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito (ou uma metáfora) que diz que, antes de nascer, a alma de cada pessoa vivia em uma Estrela, onde localizam-se as Idéias. Quando uma pessoa nasce, sua alma é "jogada" para a Terra, e o impacto que ocorre faz com que esqueça o que viu na Estrela. Mas ao ver um objeto aparecer de diferentes formas (como as diferentes árvores que se pode ver), a alma recorda-se da Idéia daquele objeto que foi vista na Estrela. Tal recordação, em Platão, chama-se anamnesis.
A reminiscência
Uma das condições para a indagação ou investigação acerca das Idéias é que não estamos em estado de completa ignorância sobre elas. Do contrário, não teríamos nem desejo nem poder de procurá-las. Em vista disso, é uma condição necessária (para tal investigação) que tenhamos em nossa alma alguma espécie de conhecimento ou lembrança de nosso contato com as Idéias (contato esse ocorrido antes do nosso próprio nascimento) e nos recordamos das Idéias por vê-las reproduzidas palidamente nas coisas. Deste modo, toda a ciência platônica é uma reminiscência. A investigação das Idéias supõe que as almas preexistiram em uma região divina onde contemplavam as Idéias.
Frases de Platão
· "O belo é o esplendor da verdade".
· "O que mais vale não é viver, mas viver bem".
· "Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".
· "O amor é uma perigosa doença mental".
· "Praticar injustiças é pior que sofrê-las".
· "A harmonia se consegue através da virtude".
· "Teme a velhice, pois ela nunca vem só".
· "A educação deve possibilitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter".
O MITO DA CAVERNA
Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um muro alto. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem se locomover, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas as sombras dos outros e de si mesmos por que estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam projetadas como sombras nas paredes do fundo da caverna. Do lado de fora, pessoas passam conversando e carregando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais cujas sombras também são projetadas na parede da caverna, como num teatro de fantoches. Os prisioneiros julgam que as sombras de coisas e pessoas, os sons de suas falas e as imagens que transportam nos ombros são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são seres vivos que se movem e falam.
Um dos prisioneiros, inconformado com a condição em que se encontra, decide abandoná-la. Fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. De inicio, move a cabeça, depois o corpo todo; a seguir, avança na direção do muro e o escala. Enfrentando os obstáculos de um caminho íngreme e difícil, sai da caverna. No primeiro instante, fica totalmente cego pela luminosidade do sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Enche-se de dor por causa dos movimentos que seu corpo realiza pela primeira vez e pelo ofuscamento de seus olhos sob a luz externa, muito mais forte do que o fraco brilho do fogo que havia no interior da caverna. Sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento.
Ao permanecer no exterior o prisioneiro, aos poucos se habitua a luz e começa a ver o mundo. Encanta-se, tem a felicidade de ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vida toda e que em sua prisão vira apenas sombras. Doravante, desejará ficar longe da caverna para sempre e lutará com todas as forças para jamais regressar a ela. No entanto não pode deixar de lastimar a sorte dos outros prisioneiros e, por fim, toma a difícil decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e convencê-los a se libertarem também.Só que os demais prisioneiros zombam dele, não acreditando em suas palavras e, se não conseguem silenciá-lo com suas caçoadas, tentam fazê-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna, certamente acabam por matá-lo. Mas quem sabe alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da caverna rumo a realidade?
ARISTÓTELES
Aristóteles de Estagira, 384 a.C. – 322 a.C. filósofo grego, um dos maiores pensadores de todos os tempos. Suas reflexões filosóficas — por um lado originais e por outro reformuladoras da tradição grega — acabaram por configurar um modo de pensar que se estenderia por séculos. Prestou inigualáveis contribuições para o pensamento humano, destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural e outras áreas de conhecimento. É considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental. Por ter estudado uma variada gama de assuntos, e também por ter sido um discípulo que em muito sentidos ultrapassou seu mestre, Platão, Aristóteles é conhecido também como “O Filósofo”.
O Pensamento Aristotélico
A tradição representa um elemento vital para a compreensão da filosofia aristotélica. Em certo sentido, Aristóteles via seu próprio pensamento como o ponto culminante do processo desencadeado por Tales de Mileto. Sua filosofia pretendia não apenas rever como também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias anteriores. Ao mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar suas críticas, revisões e novas proposições.
Para Aristóteles, a Lógica é um instrumento, uma propedêutica para as ciências e para o conhecimento e baseia-se no silogismo, o raciocínio formalmente estruturado que supõe certas premissas colocadas previamente para que haja uma conclusão necessária. O silogismo parte do universal para o particular; a indução, ao contrário, parte do particular para o universal.
A concepção aristotélica de física parte do movimento, elucidando-o nas análises dos conceitos de crescimento, alteração e mudança. A teoria do ato e potência, com implicações metafísicas, é o fundamento do sistema. Ato e potência relacionam-se com o movimento enquanto que a matéria e forma com a ausência de movimento. Para Aristóteles, os objetos caiam para se localizarem corretamente de acordo com sua natureza: o éter, acima de tudo; logo abaixo, o fogo; depois a água e, por último, a terra.
A psicologia é a teoria da alma e baseia-se nos conceitos de alma (psykhé) e intelecto (noûs). A alma é a forma primordial de um corpo que possui vida em potência, sendo a essência do corpo. O intelecto, por sua vez, não se restringe a uma relação específica com o corpo; sua atividade vai além dele.
O organismo, uma vez desenvolvido, recebe a forma que lhe possibilitará perfeição maior, fazendo passar suas potências a ato. Essa forma é alma. Ela faz com que vegetem, cresçam e se reproduzam os animais e plantas e também faz com que os animais sintam.
No homem, a alma, além de suas características vegetativas e sensitivas, há também a característica da inteligência, que é capaz de apreender as essências de modo independente da condição orgânica.
Ela acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem seria ativo.
É a ciência da vida e situa-se no âmbito da física (como a própria psicologia), pois está centrada na relação entre ato e potência. Aristóteles foi o verdadeiro fundador da zoologia - levando-se em conta o sentido etimológico da palavra. A ele se deve a primeira divisão do reino animal.
Aristóteles é o pai da teoria da abiogênese, que durou até séculos mais recentes, segundo a qual um ser nascia de um germe da vida, sem que um outro ser precisasse gerá-lo (exceto os humanos): um exemplo é o das aves que vivem à beira das lagoas, cujo germe da vida estaria nas plantas próximas.
Metafísica
O termo metafísica não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de filosofia primeira. Esta é a ciência que se ocupa com realidades que estão além das realidades físicas que possuem fácil e imediata apreensão sensorial.
O conceito de metafísica em Aristóteles é extremamente complexo e não há uma definição única. O filósofo deu quatro definições para metafísica: 1) a ciência que indaga causas e princípios; 2) a ciência que indaga o ser enquanto ser; 3) a ciência que investiga a substância e 4) a ciência que investiga a substância supra-sensível.
Os conceitos de ato e potência, matéria e forma, substância e acidente possuem especial importância na metafísica aristotélica.
As quatro causas
Para Aristóteles, existem quatro causas implicadas na existência de algo:
A causa material (aquilo do qual é feita alguma coisa, como a argila, por exemplo);
A causa formal (a coisa mesma, como um vaso de argila);
A causa motora (aquilo que dá origem ao processo em que a coisa surge, como as mãos de quem trabalha a argila, por exemplo);
A causa final (aquilo para o qual a coisa é feita, como enfeitar a sala e portar flores, por exemplo).
A teoria aristotélica sobre as causas estende-se sobre toda a Natureza, que é como um artista que age no interior das coisas.
Essência e acidente
Aristóteles distingue, também, a essência e os acidentes em alguma coisa.
A essência é algo sem o qual aquilo não pode ser o que é; é o que dá identidade a um ser, e sem a qual aquele ser não pode ser reconhecido como sendo ele mesmo (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de letras não pode ser considerado um livro, pois o fato de ter letras é o que permite-o ser identificado como "livro" e não como "caderno" ou meramente "papel em branco").
O acidente é algo que pode ser inerente ou não ao ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza-se o ser por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor por ser grande; a sua cor, também, pois, por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor, ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).
Todas as coisas são em potência e ato. Uma coisa em potência é uma coisa que tende a ser outra, como uma semente (uma árvore em potência). Uma coisa em ato é algo que já está realizado, como uma árvore (uma semente em ato). É interessante notar que todas as coisas, mesmo em ato, também são em potência (pois uma árvore - uma semente em ato - também é uma folha de papel ou uma mesa em potência). A única coisa totalmente em ato é o Ato Puro, que Aristóteles identifica com o Bem. Esse Ato não é nada em potência, nem é a realização de potência alguma. Ele é sempre igual a si mesmo, e não é um antecedente de coisa alguma. Desse conceito Tomás de Aquino derivou sua noção de Deus em que Deus seria "ato puro".
Um ser em potência só pode tornar-se um ser em ato mediante algum movimento. O movimento vai sempre da potência ao ato, da privação à posse. É por isso que o movimento pode ser definido como ato de um ser em potência enquanto está em potência.
Ética
No sistema aristotélico, a ética é uma ciência menos exata na medida em que se ocupa com assuntos passíveis de modificação. Ela não se ocupa com aquilo que no homem é essencial e imutável, mas daquilo que pode ser obtido por ações repetidas, disposições adquiridas ou de hábitos que constituem as virtudes e os vícios. Seu objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista da felicidade.
Partindo das disposições naturais do homem (disposições particulares a cada um e que constituem o caráter), a moral mostra como essas disposições devem ser modificadas para que se ajustem à razão. Estas disposições costumam estar afastadas do meio-termo, estado que Aristóteles considera o ideal. Assim, algumas pessoas são muito tímidas, outras muito audaciosas. A virtude é o meio-termo e o vício se dá ou na falta ou no excesso. Por exemplo: coragem é uma virtude e seus contrários são a temeridade (excesso de coragem) e a covardia (ausência de coragem).
As virtudes se realizam sempre no âmbito humano e não têm mais sentido quando as relações humanas desaparecem, como, por exemplo, em relação a Deus. Totalmente diferente é a virtude especulativa ou intelectual, que pertence apenas a alguns (geralmente os filósofos) que, fora da vida moral, buscam o conhecimento pelo conhecimento. É assim que a contemplação aproxima o homem de Deus.
Política
Na filosofia aristotélica a política é o desdobramento natural da ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que Aristóteles chamava de filosofia prática.
Se a ética está preocupada com a felicidade individual do homem, a política se preocupa com a felicidade coletiva da pólis. Desse modo, é tarefa da política investigar e descobrir quais são as formas de governo e as instituições capazes de assegurar a felicidade coletiva. Trata-se, portanto, de investigar a constituição do estado.
Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de Alexandre.
Retórica
Aristóteles considerava importante o conhecimento da retórica, já que ela se constituiu em uma técnica (por habilitar a estruturação e exposição de argumentos) e por relacionar-se com a vida pública. O fundamento da retórica é o entimema, um silogismo no qual se subentende uma premissa ou uma conclusão. O discurso retórico opera em três campos ou gêneros: gênero deliberativo, gênero judicial e gênero epidítico.
Poética
A poética é imitação (mimesis) e abrange a poesia épica, a tragédia e a comédia. A imitação visa a recriação e a recriação visa aquilo que pode ser. Desse modo, a poética tem por fim o possível. O homem apresenta-se de diferentes modos em cada gênero poético: a poesia épica apresenta o homem como maior do que realmente é, idealizando-o; a tragédia apresenta o homem exaltando suas virtudes e a comédia apresenta o homem ressaltando seus vícios ou defeitos.
PARALELO ENTRE PLATÃO E ARISTÓTELES
por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
VISÃO GLOBAL | PLATÃO | ARISTÓTELES |
Perfil | Vocação matemática | Vocação naturalista, observação do concreto |
Objetivos | Movido por motivos políticos, éticos, estéticos e místicos | Recolhido unicamente na elaboração de seu sistema filosófico, indene a motivos práticos e sentimentais. |
Obras | Todas chegaram até nós | Muitos escritos se perderam |
Escola | Academia: num jardim junto do santuário do herói Academo | Liceu perto do templo de Apolo Lício |
Projeção doutrinária | Platonismo: fecundo dentro e fora do pensamento grego | Aristotelismo: idem, mas com mais extensão e vigor |
Influências | Sem Sócrates não teria havido o Platão que conhecemos | Sem Platão não teria havido o Aristóteles que conhecemos |
Caminhos traçados | Mais brilhantes, sugestivos e aparentemente mais prometedores | Mais humildes, menos espetaculares, mas mais eficazes e fecundos,porque estão baseados na realidade mesma das coisas |
DOUTRINA | ||
Gnosiologia | Intenta resolver o problema da vida | Intenta resolver o problema do ser |
Idéias universais | Realidade objetiva: Mundo das Idéias | Não existem modelos reais das coisas sensíveis |
O universal | Não se contrapõe ao particular, mas é lhe é anterior | Não se contrapõe ao particular, mas lhe é posterior |
As idéias não entram na composição dos seres do mundo sensível, senão de uma maneira puramente extrínseca, enquanto servem de modelos para a formação do Universo. | Pela abstração a inteligência atinge a essência das coisas. Não há o Mundo das Idéias. | |
Realidade | Antecipa-se ao método de Descartes e Spinoza e incorre no mesmo defeito de querer partir de uma intuição fundamental para deduzir depois a realidade | Realismo moderado, ratificado por Tomás de Aquino: não há intuição, mas abstração das idéias, nas quais e pelas quais se conhece a coisa em si. |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
O Ser | Mundo transcendente, hiperurânio, onde estão as idéias nas quais se concentra toda a realidade. Aí residem as substâncias imutáveis que são o objeto da ciência. | Nega a realidade ontológica do mundo platônico das Idéias. Existem somente as substâncias individuais particulares e concretas. |
Recebe o seu sentido primitivo de cima, da Idéia | Recebe o seu sentido primitivo de baixo, do concreto | |
Sentidos | Desconfia dos sentidos | Os conceitos são tirados da experiência mediante a evidência |
Recusa a passagem da sensação ao conceito | “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”. | |
Natureza | Não faz a apologia do estudo da natureza | Faz a apologia do estudo da natureza: “Em cada parcela da natureza há sempre alguma maravilha”. |
Ciência | A construção do platonismo é de cima para baixo | A construção do aristotelismo é de baixo para cima |
Desvia-se do método traçado por Sócrates. Representante do matematicismo exagerado seguido por Descartes, Malebranche, Spinoza e Leibniz, quer lograr em todos os ramos da ciência o mesmo grau de necessidade e de certeza que nas matemáticas. Seu idealismo frustra radicalmente seu desejo de chegar à verdadeira realidade | Retorna ao método socrático no seu verdadeiro sentido ascendente, partindo da realidade dos indivíduos substanciais, concretos, múltiplos, móveis e contingentes do mundo físico, para construir sobre eles as ciências na ordem lógica e também para chegar eficazmente à única realidade transcendente na ordem ontológica que é Deus | |
Lógica | Dedutiva, demonstrativa | Ensina o mesmo |
Conhecimento | Os conceitos são a priori. | Os conceitos são abstraídos das coisas. |
Inatismo | Vem da experiência | |
Depende das idéias inatas | Depende da percepção sensível | |
Scire est reminisci | Nihil est in mente quod prius non fuerit in sensu | |
Matéria | Puro não-ser, princípio de decadência | Condição indispensável para concretizar a forma. |
Tudo anela pela idéia | A matéria anela pela forma | |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
Forma | Separada da matéria | Imanente e operante na matéria |
Sensação | Distinta do pensamento / Inatismo | Distinta do pensamento, sem idéias inatas |
Olhos: suprema afinidade com o espírito | O ouvido é o órgão espiritual por excelência | |
Razão | Aniquila e destrói as paixões | Governa e domina as paixões |
Psicologia | Carece de todo valor científico. Baseada no mito da preexistência das almas. A alma está presa ao corpo com uma união acidental, violenta e antinatural. O corpo é o túmulo da alma, decaída de uma vida anterior feliz. | Investiga sobre a alma fixando-se em seus atos, dos quais deduz sua natureza e suas propriedades. Não considera a alma como coisa estranha ao corpo, senão que é seu princípio vital, unida a ele naturalmente como forma à sua matéria, de maneira substancial, constituindo um composto único e natural, que é a pessoa humana. |
Ética | Não salva o Direito Privado, a Propriedade Particular e a Família | Salva tudo isto |
Tem em vista homens superiores e não homens comuns | Idem | |
Baseada em sentimentalismos lamentáveis | Sistematização aristotélica da ética muito acima dos sentimentalismos platônicos e marca um avanço muito mais positivo para a verdadeira solução. | |
Insiste que se torna impossível saber sem querer, ou seja, é impossível a quem deixou de captar pela lógica da racionalidade agir contra a dinâmica que conduz ao Bem Supremo. Quem age imoralmente é porque não sabe, não entrou nos caminhos da razão. | É possível termos certezas teóricas e errarmos no campo da práxis. Existe neste setor complexidade muito maior. | |
Cada pessoa tem o direito de ser o árbitro de seus valores, de sua vida ética. | Não reconhece a cada um o direito de constituir seus valores. . | |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
Antropomorfismo | Excluído | Idem |
Politeísmo | Não excluído de todo | Idem |
Monismo e pluralismo | Entre os extremos do monismo absoluto e do pluralismo radical mais perto do monismo | Mais perto do Pluralismo |
Escravidão | Admite | Idem |
Teologia | Ciência de Deus | Idem |
Deus é espírito, acentuando o espírito objetivo, sendo a Idéia do Bem e do Belo a origem de tudo. | Deus é espírito, acentuando o espírito vivo, sendo que o Primeiro Motor imóvel move tudo sem se imiscuir no processo cósmico | |
Sobre a natureza de Deus afeta um certo temor em aventurar uma atribuição indireta à natureza do seu supremo princípio | Declara-se firme e sem rebuços pelo real ser de Deus, como espírito pensante e vivendo uma vida feliz. | |
Heraclatismo | Superado com sua doutrina da unidade e da multiplicidade | Superado com sua doutrina do ato e da potência |
Alma | Um ser que se move por si mesmo | Idem |
Dotada de partes reais | Dotada de unidade | |
Admite sua imortalidade | Imortalidade parcial | |
Mundo | Começo temporal | Eternidade da matéria e da forma, particularmente nos astros eternos, bem como ensina a eternidade do movimento |
Educação militar | Elimina tudo que é puramente técnico | Maior modernidade |
Preocupa-se sobretudo com a estrutura espiritual da pessoa | Acentua a importância da maquinaria e da habilidade no manejo das armas | |
Humanidade | Não tinha idéia universal de humanidade | Idem |
Gregos, parentes e amigos; bárbaros, inimigos | Idem | |
Estado | Tem por finalidade prover o bem coletivo | Seu papel essencial é a educação dos cidadãos |
Comunismo dos bens, das mulheres e dos filhos | Comunismo, como resolução total dos indivíduos e dos valores no Estado é fantástico e irrealizável | |
Filósofos governam a República | Monarquia, aristocracia ou democracia | |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
Religião | Oferece uma garantia aos valores morais do homem, os quais regulam a ordem da vida social. | Necessária para a moralização do povo |
Arte | Sua doutrina estética oscila entre a valorização e a desvalorização da arte e da beleza | É a imitação direta da forma imanente à matéria |
Resulta da cópia de uma cópia do mundo empírico que é já uma cópia do mundo ideal. Cópia não de essências, mas de fenômenos. | Tem como conteúdo o universal, inteligível do qual depende sua eficácia espiritual, isto é, pedagógica e purificadora |
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