quarta-feira, 18 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Material Teorico 2º Bimestre
Período Clássico
Os séculos V e IV a.C. na Grécia Antiga foram de grande desenvolvimento cultural e científico. O esplendor de cidades como Atenas, e seu sistema político democrático, proporcionou o terreno propício para o desenvolvimento do pensamento. É a época dos sofistas e do grande pensador Sócrates.
Os sofistas, entre eles Górgias, Protágoras, Hípas, Demócrito, Leontinos e Abdera, defendiam uma educação, cujo objetivo máximo seria a formação de um cidadão pleno, preparado para atuar politicamente para o crescimento da cidade. Dentro desta proposta pedagógica, os jovens deveriam ser preparados para falar bem (retórica), pensar e manifestar suas qualidades artísticas.
Sócrates começa a pensar e refletir sobre o homem, buscando entender o funcionamento do Universo dentro de uma concepção científica. Para ele, a verdade está ligada ao bem moral do ser humano. Ele não deixou textos ou outros documentos, desta forma, só podemos conhecer as idéias de Sócrates através dos relatos deixados por Platão.
Sócrates começa a pensar e refletir sobre o homem, buscando entender o funcionamento do Universo dentro de uma concepção científica. Para ele, a verdade está ligada ao bem moral do ser humano. Ele não deixou textos ou outros documentos, desta forma, só podemos conhecer as idéias de Sócrates através dos relatos deixados por Platão.
Platão foi discípulo de Sócrates e defendia que as idéias formavam o foco do conhecimento intelectual. Os pensadores teriam a função de entender o mundo da realidade, separando-o das aparências.
Outro grande sábio desta época foi Aristóteles que desenvolveu os estudos de Platão e Sócrates. Foi Aristóteles quem desenvolveu a lógica dedutiva clássica, como forma de chegar ao conhecimento científico. A sistematização e os métodos devem ser desenvolvidos para se chegar ao conhecimento pretendido, partindo sempre dos conceitos gerais para os específicos.
Outro grande sábio desta época foi Aristóteles que desenvolveu os estudos de Platão e Sócrates. Foi Aristóteles quem desenvolveu a lógica dedutiva clássica, como forma de chegar ao conhecimento científico. A sistematização e os métodos devem ser desenvolvidos para se chegar ao conhecimento pretendido, partindo sempre dos conceitos gerais para os específicos.
Sócrates nasceu em Atenas, no subúrbio de Alopeke, 469 anos antes de Cristo. Seu pai era escultor e sua mãe, parteira. O método socrático, como desde antigamente se observou, tinha um pouco das qualidades das profissões de seus pais. Sócrates não impunha o conhecimento, mas à maneira da profissão materna, ajudava para que ele viesse à tona de dentro do discípulo, que o produzia por si mesmo. Sua arte de dialogar, conhecida como maiêutica, provocava aquilo que ficou conhecido como "a parturição das idéias". Por outro lado, sua intenção era a formação autônoma da pessoa. Era converter, à maneira da profissão paterna, uma massa natural e sem forma em uma bela representação individual do espírito. Daí resultava que o conhecimento primordial do homem deve ser o conhecimento de si mesmo.
Embora, pelo que se supõe, não tenha sido discípulo de nenhuma escola filosófica específica, Sócrates certamente sabia de sua existência e compreendia o alcance de suas doutrinas. Sua formação era inata, pessoal, superando o conhecimento de outras escolas doutrinárias provavelmente através de profunda meditação.
Havia em Delfos um templo dedicado ao deus Apolo, onde a sacerdotisa Pítia formulava oráculos, predizendo o futuro aos que o consultavam. Conforme narra Platão em sua Defesa de Sócrates, foi o oráculo de Delfos que um dia afirmou a Querofonte não haver "ninguém mais sábio do que Sócrates". Sócrates tomou isso como uma orientação divina pela qual pautou toda sua vida, dedicando-se incessantemente à tarefa de educador e mestre.
A exposição da concepção lógica e moral de Sócrates é inseparável da narração dos fatos de sua vida, pois sua vida foi a realização, passo a passo, de sua filosofia.
Sócrates e Atenas
A relação entre Sócrates e a democracia ateniense foi de certa forma conturbada, apesar de ser uma figura de grande renome e popularidade na cidade. O filósofo passava seus dias a dialogar em locais públicos, não cobrando por isso, ao contrário do que era costume na época. Era um feroz crítico dos Sofistas, filósofos que aceitavam "doações" da aristocracia ateniense em troca de seus "ensinamentos".
Sócrates foi proeminentemente satirizado em diversas peças cômicas, como em Aristófanes (As Nuvens), produzida quando Sócrates tinha cerca de quarenta anos. Sócrates aparece em outras peças de Aristófanes como As Aves, por ser um suposto amante de Esparta, e também em peças escritas por Calias, Eupólis e Teleclides, em todas Sócrates e os sofistas eram criticados pelas inovações que seu pensamento representava para seus contemporâneos.
Durante os breves períodos de ditadura em Atenas (a dos Trinta e a dos Quatrocentos), Sócrates foi pouco importunado e continuou a lecionar publicamente (durante a ditadura dos Trinta, Sócrates foi "proibido de falar com os jovens" durante um certo tempo). Alguns autores inclusive citam o fato de que seus ensinamentos continham grande conteúdo anti-democrático.
Vivendo durante o tempo de transição entre o auge do império ateniense e sua derrota para Esparta e seus aliados na guerra do Peloponeso. Quando Atenas procurava recuperar-se da humilhante derrota, o tribunal ateniense, instigado por três figuras importantes na época, julgou Sócrates por impiedade e corrupção de jovens, considerou-o culpado, condenando-o à morte. Porém, não quis se exilar, preferindo beber cicuta entre os amigos.
Sócrates no leito de morte, Jacques-Louis David, 1787
Sócrates costumava citar a sabedoria como sendo a base de sua exortação moral. Da mesma maneira, ele enfatizava que a maior das virtudes consistia em cuidar das coisas da alma, que deveria preocupar-se com a busca da verdade e do entendimento, e que "a riqueza não traz felicidade, porém a bondade traz riqueza e toda sorte de bênçãos, tanto para o indivíduo quanto para o país", e que "a vida sem provações não vale a pena ser vivida". Sócrates também argumentava que "estar errado é melhor do que fazer errado".
Sofisma
Um sofisma (do grego antigo σόϕισμα -ατος, derivado de σοϕίξεσϑαι "fazer raciocínios capciosos") em Filosofia é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário às suas próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentado-a sob esquemas que parecem seguir as regras da lógica.
Historicamente o termo sofisma, no seu primeiro e mais comum significado, é equivalente ao paralogismo matemático, que é uma demonstração aparentemente rigorosa que, todavia, conduz a um resultado nitidamente absurdo. Atualmente, no uso freqüente e do senso comum, sofisma é qualquer raciocínio caviloso ou falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé.
As palavras sofista, sofística[1] (do grego antigo: σοφιστής, σοφιστικός; derivada σοφός - "sábio", "instruído"), assumem diferentes significados ao longo da história da filosofia, que merecem ser distinguidos:
- Chama-se sofista ou sofístico, um conjunto de pensadores, oradores e professores gregos do século V a.C. (e do início do século seguinte).
- Em Platão, seguido da maior parte dos filósofos até aos nossos dias, uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para fins geralmente imorais.
- O desenvolvimento da reflexão e o ensino da retórica, em princípio a partir do século I d.C., na prática a partir do século II, no Império romano.
Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de professores retóricos na Grécia antiga. O uso moderno da palavra, sugestionando um argumento inválido composto de raciocínio especioso, não é necessariamente o representante das convicções do sofistas originais, a não ser daquele que geralmente ensinaram retórica. Os sofistas só são conhecidos hoje pelas escritas de seus oponentes (mais especificamente, Platão e Aristóteles) que dificulta formular uma visão completa das convicções dos sofistas.
Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade.
Outro sofista famoso foi Górgias de Leontini, que afirmava que o 'ser' não existia. Segundo Górgias, mesmo que se admitisse que o 'ser' exista, é impossível captá-lo. Mesmo que isso fosse possível, não seria possível enunciá-lo de modo verdadeiro e, portanto, seria sempre impossível qualquer conhecimento sobre o 'ser'.
Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foi adotada também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.
Filosofando:
“Só sei que nada sei.
Uma coisa posso afirmar e provar com palavras e atos: é que nos tornamos melhores se cremos que é nosso dever seguir em busca da verdade desconhecida.
Se um asno tivesse me dado um coice, eu deveria levá-lo ao tribunal?
À morte não dou mais importância que a um figo podre, mas dou o máximo valor a não cometer nenhuma injustiça ou impiedade.
Enquanto tiver alento, jamais deixarei de filosofar, de exortá-los, de ministrar ensinamentos, a qualquer um de vocês que eu encontrar. Essas foram às ordens que o Deus me deu.
E outra coisa não faço que andar por aí, convencendo a todos, jovens e velhos, a não cuidarem tanto do corpo e das riquezas e sim de melhorarem a alma o mais possível, alertando-os que não é das posses materiais que vem a virtude, mas é da virtude que vêm as posses e outros bens.
Não conhecer o próprio valor é ignorar a si mesmo.”
PLATÃO:
Platão de Atenas, 428/27 a.C. - 347 a.C., filósofo grego. Discípulo de Sócrates, fundador da Academia e mestre de Aristóteles. Seu nome verdadeiro era Aristócles; Platão era um apelido que, provavelmente, fazia referência à sua característica física, tal como o porte atlético ou os ombros largos, ou ainda a sua ampla capacidade intelectual de tratar de diferentes temas. Πλάτος (plátos), em grego significa amplitude, dimensão, largura. Sua filosofia é de grande importância e influência. Platão ocupou-se com vários temas, entre eles ética, política, metafísica e teoria do conhecimento.
Pensamento platônicoEm linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contato permanente com dois tipos de realidade: os inteligíveis e os sensíveis. Os primeiros são realidades, mais concretas, permanentes, imutáveis, iguais a si mesmas. As segundas são todas as coisas que nos afetam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades inteligíveis.
Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Idéias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como hipótese no diálogo Fédon e constitui uma maneira de garantir a possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenômenos.
Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das Idéias. Cada objeto concreto que existe participa, junto com todos os outros objetos de sua categoria, de uma Idéia perfeita. Uma determinada caneta, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho, etc). Outra caneta terá outros atributos, sendo ela também uma caneta, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com que as duas sejam canetas é, para Platão, a Idéia de Caneta, perfeita, que esgota todas as possibilidades de ser caneta.
A ontologia de Platão diz, então, que algo é na medida em que participa da Idéia desse objeto. No caso da caneta é irrelevante, mas o foco de Platão são coisas como o ser humano, o bem ou a justiça, por exemplo.
O problema que Platão propõe-se a resolver é a tensão entre Heráclito e Parmênides: para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está em constante movimento e é uma ilusão a estaticidade, ou a permanência de qualquer coisa; para o segundo, o movimento é que é uma ilusão, pois algo que é não pode deixar de ser e algo que não é não pode ser, assim, não há mudança.
Ou seja (por exemplo), o que faz com que determinada árvore seja ela mesma desde o estágio de semente até morrer, e o que faz com que ela seja tão árvore quanto outra de outra espécie, com características tão diferentes? Há aqui uma mudança, tanto da árvore em relação a si mesma (com o passar do tempo ela cresce) quanto da árvore em relação a outra. Para Heráclito, a árvore está sempre mudando e nunca é a mesma, e para Parmênides, ela nunca muda, é sempre a mesma e é uma ilusão sua mudança.
Platão resolve esse problema com sua Teoria das Idéias. O que há de permanente em um objeto é a Idéia, mais precisamente, a participação desse objeto na sua Idéia correspondente. E a mudança ocorre porque esse objeto não é uma Idéia, mas uma incompleta representação da Idéia desse objeto. No exemplo da árvore, o que faz com que ela seja ela mesma e seja uma árvore (e não outra coisa), a despeito de sua diferença daquilo que era quando mais jovem e de outras árvores de outras espécies (e mesmo das árvores da mesma espécie) é sua participação na Idéia de Árvore; e sua mudança deve-se ao fato de ser uma pálida representação da Idéia de Árvore.
Platão também elaborou uma teoria gnosiológica, ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma Teoria do conhecimento. Segundo ele, ao vermos um objeto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Idéia daquele objeto, que viu no mundo das Idéias. Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito (ou uma metáfora) que diz que, antes de nascer, a alma de cada pessoa vivia em uma Estrela, onde localizam-se as Idéias. Quando uma pessoa nasce, sua alma é "jogada" para a Terra, e o impacto que ocorre faz com que esqueça o que viu na Estrela. Mas ao ver um objeto aparecer de diferentes formas (como as diferentes árvores que se pode ver), a alma recorda-se da Idéia daquele objeto que foi vista na Estrela. Tal recordação, em Platão, chama-se anamnesis.
A reminiscência
Uma das condições para a indagação ou investigação acerca das Idéias é que não estamos em estado de completa ignorância sobre elas. Do contrário, não teríamos nem desejo nem poder de procurá-las. Em vista disso, é uma condição necessária (para tal investigação) que tenhamos em nossa alma alguma espécie de conhecimento ou lembrança de nosso contato com as Idéias (contato esse ocorrido antes do nosso próprio nascimento) e nos recordamos das Idéias por vê-las reproduzidas palidamente nas coisas. Deste modo, toda a ciência platônica é uma reminiscência. A investigação das Idéias supõe que as almas preexistiram em uma região divina onde contemplavam as Idéias.
Frases de Platão
· "O belo é o esplendor da verdade".
· "O que mais vale não é viver, mas viver bem".
· "Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".
· "O amor é uma perigosa doença mental".
· "Praticar injustiças é pior que sofrê-las".
· "A harmonia se consegue através da virtude".
· "Teme a velhice, pois ela nunca vem só".
· "A educação deve possibilitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter".
O MITO DA CAVERNA
Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um muro alto. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem se locomover, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas as sombras dos outros e de si mesmos por que estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam projetadas como sombras nas paredes do fundo da caverna. Do lado de fora, pessoas passam conversando e carregando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais cujas sombras também são projetadas na parede da caverna, como num teatro de fantoches. Os prisioneiros julgam que as sombras de coisas e pessoas, os sons de suas falas e as imagens que transportam nos ombros são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são seres vivos que se movem e falam.
Um dos prisioneiros, inconformado com a condição em que se encontra, decide abandoná-la. Fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. De inicio, move a cabeça, depois o corpo todo; a seguir, avança na direção do muro e o escala. Enfrentando os obstáculos de um caminho íngreme e difícil, sai da caverna. No primeiro instante, fica totalmente cego pela luminosidade do sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Enche-se de dor por causa dos movimentos que seu corpo realiza pela primeira vez e pelo ofuscamento de seus olhos sob a luz externa, muito mais forte do que o fraco brilho do fogo que havia no interior da caverna. Sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento.
Ao permanecer no exterior o prisioneiro, aos poucos se habitua a luz e começa a ver o mundo. Encanta-se, tem a felicidade de ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vida toda e que em sua prisão vira apenas sombras. Doravante, desejará ficar longe da caverna para sempre e lutará com todas as forças para jamais regressar a ela. No entanto não pode deixar de lastimar a sorte dos outros prisioneiros e, por fim, toma a difícil decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e convencê-los a se libertarem também.Só que os demais prisioneiros zombam dele, não acreditando em suas palavras e, se não conseguem silenciá-lo com suas caçoadas, tentam fazê-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna, certamente acabam por matá-lo. Mas quem sabe alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da caverna rumo a realidade?
ARISTÓTELES
Aristóteles de Estagira, 384 a.C. – 322 a.C. filósofo grego, um dos maiores pensadores de todos os tempos. Suas reflexões filosóficas — por um lado originais e por outro reformuladoras da tradição grega — acabaram por configurar um modo de pensar que se estenderia por séculos. Prestou inigualáveis contribuições para o pensamento humano, destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural e outras áreas de conhecimento. É considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental. Por ter estudado uma variada gama de assuntos, e também por ter sido um discípulo que em muito sentidos ultrapassou seu mestre, Platão, Aristóteles é conhecido também como “O Filósofo”.
O Pensamento Aristotélico
A tradição representa um elemento vital para a compreensão da filosofia aristotélica. Em certo sentido, Aristóteles via seu próprio pensamento como o ponto culminante do processo desencadeado por Tales de Mileto. Sua filosofia pretendia não apenas rever como também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias anteriores. Ao mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar suas críticas, revisões e novas proposições.
Para Aristóteles, a Lógica é um instrumento, uma propedêutica para as ciências e para o conhecimento e baseia-se no silogismo, o raciocínio formalmente estruturado que supõe certas premissas colocadas previamente para que haja uma conclusão necessária. O silogismo parte do universal para o particular; a indução, ao contrário, parte do particular para o universal.
A concepção aristotélica de física parte do movimento, elucidando-o nas análises dos conceitos de crescimento, alteração e mudança. A teoria do ato e potência, com implicações metafísicas, é o fundamento do sistema. Ato e potência relacionam-se com o movimento enquanto que a matéria e forma com a ausência de movimento. Para Aristóteles, os objetos caiam para se localizarem corretamente de acordo com sua natureza: o éter, acima de tudo; logo abaixo, o fogo; depois a água e, por último, a terra.
A psicologia é a teoria da alma e baseia-se nos conceitos de alma (psykhé) e intelecto (noûs). A alma é a forma primordial de um corpo que possui vida em potência, sendo a essência do corpo. O intelecto, por sua vez, não se restringe a uma relação específica com o corpo; sua atividade vai além dele.
O organismo, uma vez desenvolvido, recebe a forma que lhe possibilitará perfeição maior, fazendo passar suas potências a ato. Essa forma é alma. Ela faz com que vegetem, cresçam e se reproduzam os animais e plantas e também faz com que os animais sintam.
No homem, a alma, além de suas características vegetativas e sensitivas, há também a característica da inteligência, que é capaz de apreender as essências de modo independente da condição orgânica.
Ela acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem seria ativo.
É a ciência da vida e situa-se no âmbito da física (como a própria psicologia), pois está centrada na relação entre ato e potência. Aristóteles foi o verdadeiro fundador da zoologia - levando-se em conta o sentido etimológico da palavra. A ele se deve a primeira divisão do reino animal.
Aristóteles é o pai da teoria da abiogênese, que durou até séculos mais recentes, segundo a qual um ser nascia de um germe da vida, sem que um outro ser precisasse gerá-lo (exceto os humanos): um exemplo é o das aves que vivem à beira das lagoas, cujo germe da vida estaria nas plantas próximas.
Metafísica
O termo metafísica não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de filosofia primeira. Esta é a ciência que se ocupa com realidades que estão além das realidades físicas que possuem fácil e imediata apreensão sensorial.
O conceito de metafísica em Aristóteles é extremamente complexo e não há uma definição única. O filósofo deu quatro definições para metafísica: 1) a ciência que indaga causas e princípios; 2) a ciência que indaga o ser enquanto ser; 3) a ciência que investiga a substância e 4) a ciência que investiga a substância supra-sensível.
Os conceitos de ato e potência, matéria e forma, substância e acidente possuem especial importância na metafísica aristotélica.
As quatro causas
Para Aristóteles, existem quatro causas implicadas na existência de algo:
A causa material (aquilo do qual é feita alguma coisa, como a argila, por exemplo);
A causa formal (a coisa mesma, como um vaso de argila);
A causa motora (aquilo que dá origem ao processo em que a coisa surge, como as mãos de quem trabalha a argila, por exemplo);
A causa final (aquilo para o qual a coisa é feita, como enfeitar a sala e portar flores, por exemplo).
A teoria aristotélica sobre as causas estende-se sobre toda a Natureza, que é como um artista que age no interior das coisas.
Essência e acidente
Aristóteles distingue, também, a essência e os acidentes em alguma coisa.
A essência é algo sem o qual aquilo não pode ser o que é; é o que dá identidade a um ser, e sem a qual aquele ser não pode ser reconhecido como sendo ele mesmo (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de letras não pode ser considerado um livro, pois o fato de ter letras é o que permite-o ser identificado como "livro" e não como "caderno" ou meramente "papel em branco").
O acidente é algo que pode ser inerente ou não ao ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza-se o ser por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor por ser grande; a sua cor, também, pois, por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor, ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).
Todas as coisas são em potência e ato. Uma coisa em potência é uma coisa que tende a ser outra, como uma semente (uma árvore em potência). Uma coisa em ato é algo que já está realizado, como uma árvore (uma semente em ato). É interessante notar que todas as coisas, mesmo em ato, também são em potência (pois uma árvore - uma semente em ato - também é uma folha de papel ou uma mesa em potência). A única coisa totalmente em ato é o Ato Puro, que Aristóteles identifica com o Bem. Esse Ato não é nada em potência, nem é a realização de potência alguma. Ele é sempre igual a si mesmo, e não é um antecedente de coisa alguma. Desse conceito Tomás de Aquino derivou sua noção de Deus em que Deus seria "ato puro".
Um ser em potência só pode tornar-se um ser em ato mediante algum movimento. O movimento vai sempre da potência ao ato, da privação à posse. É por isso que o movimento pode ser definido como ato de um ser em potência enquanto está em potência.
Ética
No sistema aristotélico, a ética é uma ciência menos exata na medida em que se ocupa com assuntos passíveis de modificação. Ela não se ocupa com aquilo que no homem é essencial e imutável, mas daquilo que pode ser obtido por ações repetidas, disposições adquiridas ou de hábitos que constituem as virtudes e os vícios. Seu objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista da felicidade.
Partindo das disposições naturais do homem (disposições particulares a cada um e que constituem o caráter), a moral mostra como essas disposições devem ser modificadas para que se ajustem à razão. Estas disposições costumam estar afastadas do meio-termo, estado que Aristóteles considera o ideal. Assim, algumas pessoas são muito tímidas, outras muito audaciosas. A virtude é o meio-termo e o vício se dá ou na falta ou no excesso. Por exemplo: coragem é uma virtude e seus contrários são a temeridade (excesso de coragem) e a covardia (ausência de coragem).
As virtudes se realizam sempre no âmbito humano e não têm mais sentido quando as relações humanas desaparecem, como, por exemplo, em relação a Deus. Totalmente diferente é a virtude especulativa ou intelectual, que pertence apenas a alguns (geralmente os filósofos) que, fora da vida moral, buscam o conhecimento pelo conhecimento. É assim que a contemplação aproxima o homem de Deus.
Política
Na filosofia aristotélica a política é o desdobramento natural da ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que Aristóteles chamava de filosofia prática.
Se a ética está preocupada com a felicidade individual do homem, a política se preocupa com a felicidade coletiva da pólis. Desse modo, é tarefa da política investigar e descobrir quais são as formas de governo e as instituições capazes de assegurar a felicidade coletiva. Trata-se, portanto, de investigar a constituição do estado.
Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de Alexandre.
Retórica
Aristóteles considerava importante o conhecimento da retórica, já que ela se constituiu em uma técnica (por habilitar a estruturação e exposição de argumentos) e por relacionar-se com a vida pública. O fundamento da retórica é o entimema, um silogismo no qual se subentende uma premissa ou uma conclusão. O discurso retórico opera em três campos ou gêneros: gênero deliberativo, gênero judicial e gênero epidítico.
Poética
A poética é imitação (mimesis) e abrange a poesia épica, a tragédia e a comédia. A imitação visa a recriação e a recriação visa aquilo que pode ser. Desse modo, a poética tem por fim o possível. O homem apresenta-se de diferentes modos em cada gênero poético: a poesia épica apresenta o homem como maior do que realmente é, idealizando-o; a tragédia apresenta o homem exaltando suas virtudes e a comédia apresenta o homem ressaltando seus vícios ou defeitos.
PARALELO ENTRE PLATÃO E ARISTÓTELES
por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
VISÃO GLOBAL | PLATÃO | ARISTÓTELES |
Perfil | Vocação matemática | Vocação naturalista, observação do concreto |
Objetivos | Movido por motivos políticos, éticos, estéticos e místicos | Recolhido unicamente na elaboração de seu sistema filosófico, indene a motivos práticos e sentimentais. |
Obras | Todas chegaram até nós | Muitos escritos se perderam |
Escola | Academia: num jardim junto do santuário do herói Academo | Liceu perto do templo de Apolo Lício |
Projeção doutrinária | Platonismo: fecundo dentro e fora do pensamento grego | Aristotelismo: idem, mas com mais extensão e vigor |
Influências | Sem Sócrates não teria havido o Platão que conhecemos | Sem Platão não teria havido o Aristóteles que conhecemos |
Caminhos traçados | Mais brilhantes, sugestivos e aparentemente mais prometedores | Mais humildes, menos espetaculares, mas mais eficazes e fecundos,porque estão baseados na realidade mesma das coisas |
DOUTRINA | ||
Gnosiologia | Intenta resolver o problema da vida | Intenta resolver o problema do ser |
Idéias universais | Realidade objetiva: Mundo das Idéias | Não existem modelos reais das coisas sensíveis |
O universal | Não se contrapõe ao particular, mas é lhe é anterior | Não se contrapõe ao particular, mas lhe é posterior |
As idéias não entram na composição dos seres do mundo sensível, senão de uma maneira puramente extrínseca, enquanto servem de modelos para a formação do Universo. | Pela abstração a inteligência atinge a essência das coisas. Não há o Mundo das Idéias. | |
Realidade | Antecipa-se ao método de Descartes e Spinoza e incorre no mesmo defeito de querer partir de uma intuição fundamental para deduzir depois a realidade | Realismo moderado, ratificado por Tomás de Aquino: não há intuição, mas abstração das idéias, nas quais e pelas quais se conhece a coisa em si. |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
O Ser | Mundo transcendente, hiperurânio, onde estão as idéias nas quais se concentra toda a realidade. Aí residem as substâncias imutáveis que são o objeto da ciência. | Nega a realidade ontológica do mundo platônico das Idéias. Existem somente as substâncias individuais particulares e concretas. |
Recebe o seu sentido primitivo de cima, da Idéia | Recebe o seu sentido primitivo de baixo, do concreto | |
Sentidos | Desconfia dos sentidos | Os conceitos são tirados da experiência mediante a evidência |
Recusa a passagem da sensação ao conceito | “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”. | |
Natureza | Não faz a apologia do estudo da natureza | Faz a apologia do estudo da natureza: “Em cada parcela da natureza há sempre alguma maravilha”. |
Ciência | A construção do platonismo é de cima para baixo | A construção do aristotelismo é de baixo para cima |
Desvia-se do método traçado por Sócrates. Representante do matematicismo exagerado seguido por Descartes, Malebranche, Spinoza e Leibniz, quer lograr em todos os ramos da ciência o mesmo grau de necessidade e de certeza que nas matemáticas. Seu idealismo frustra radicalmente seu desejo de chegar à verdadeira realidade | Retorna ao método socrático no seu verdadeiro sentido ascendente, partindo da realidade dos indivíduos substanciais, concretos, múltiplos, móveis e contingentes do mundo físico, para construir sobre eles as ciências na ordem lógica e também para chegar eficazmente à única realidade transcendente na ordem ontológica que é Deus | |
Lógica | Dedutiva, demonstrativa | Ensina o mesmo |
Conhecimento | Os conceitos são a priori. | Os conceitos são abstraídos das coisas. |
Inatismo | Vem da experiência | |
Depende das idéias inatas | Depende da percepção sensível | |
Scire est reminisci | Nihil est in mente quod prius non fuerit in sensu | |
Matéria | Puro não-ser, princípio de decadência | Condição indispensável para concretizar a forma. |
Tudo anela pela idéia | A matéria anela pela forma | |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
Forma | Separada da matéria | Imanente e operante na matéria |
Sensação | Distinta do pensamento / Inatismo | Distinta do pensamento, sem idéias inatas |
Olhos: suprema afinidade com o espírito | O ouvido é o órgão espiritual por excelência | |
Razão | Aniquila e destrói as paixões | Governa e domina as paixões |
Psicologia | Carece de todo valor científico. Baseada no mito da preexistência das almas. A alma está presa ao corpo com uma união acidental, violenta e antinatural. O corpo é o túmulo da alma, decaída de uma vida anterior feliz. | Investiga sobre a alma fixando-se em seus atos, dos quais deduz sua natureza e suas propriedades. Não considera a alma como coisa estranha ao corpo, senão que é seu princípio vital, unida a ele naturalmente como forma à sua matéria, de maneira substancial, constituindo um composto único e natural, que é a pessoa humana. |
Ética | Não salva o Direito Privado, a Propriedade Particular e a Família | Salva tudo isto |
Tem em vista homens superiores e não homens comuns | Idem | |
Baseada em sentimentalismos lamentáveis | Sistematização aristotélica da ética muito acima dos sentimentalismos platônicos e marca um avanço muito mais positivo para a verdadeira solução. | |
Insiste que se torna impossível saber sem querer, ou seja, é impossível a quem deixou de captar pela lógica da racionalidade agir contra a dinâmica que conduz ao Bem Supremo. Quem age imoralmente é porque não sabe, não entrou nos caminhos da razão. | É possível termos certezas teóricas e errarmos no campo da práxis. Existe neste setor complexidade muito maior. | |
Cada pessoa tem o direito de ser o árbitro de seus valores, de sua vida ética. | Não reconhece a cada um o direito de constituir seus valores. . | |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
Antropomorfismo | Excluído | Idem |
Politeísmo | Não excluído de todo | Idem |
Monismo e pluralismo | Entre os extremos do monismo absoluto e do pluralismo radical mais perto do monismo | Mais perto do Pluralismo |
Escravidão | Admite | Idem |
Teologia | Ciência de Deus | Idem |
Deus é espírito, acentuando o espírito objetivo, sendo a Idéia do Bem e do Belo a origem de tudo. | Deus é espírito, acentuando o espírito vivo, sendo que o Primeiro Motor imóvel move tudo sem se imiscuir no processo cósmico | |
Sobre a natureza de Deus afeta um certo temor em aventurar uma atribuição indireta à natureza do seu supremo princípio | Declara-se firme e sem rebuços pelo real ser de Deus, como espírito pensante e vivendo uma vida feliz. | |
Heraclatismo | Superado com sua doutrina da unidade e da multiplicidade | Superado com sua doutrina do ato e da potência |
Alma | Um ser que se move por si mesmo | Idem |
Dotada de partes reais | Dotada de unidade | |
Admite sua imortalidade | Imortalidade parcial | |
Mundo | Começo temporal | Eternidade da matéria e da forma, particularmente nos astros eternos, bem como ensina a eternidade do movimento |
Educação militar | Elimina tudo que é puramente técnico | Maior modernidade |
Preocupa-se sobretudo com a estrutura espiritual da pessoa | Acentua a importância da maquinaria e da habilidade no manejo das armas | |
Humanidade | Não tinha idéia universal de humanidade | Idem |
Gregos, parentes e amigos; bárbaros, inimigos | Idem | |
Estado | Tem por finalidade prover o bem coletivo | Seu papel essencial é a educação dos cidadãos |
Comunismo dos bens, das mulheres e dos filhos | Comunismo, como resolução total dos indivíduos e dos valores no Estado é fantástico e irrealizável | |
Filósofos governam a República | Monarquia, aristocracia ou democracia | |
Doutrina | Platão | Aristóteles |
Religião | Oferece uma garantia aos valores morais do homem, os quais regulam a ordem da vida social. | Necessária para a moralização do povo |
Arte | Sua doutrina estética oscila entre a valorização e a desvalorização da arte e da beleza | É a imitação direta da forma imanente à matéria |
Resulta da cópia de uma cópia do mundo empírico que é já uma cópia do mundo ideal. Cópia não de essências, mas de fenômenos. | Tem como conteúdo o universal, inteligível do qual depende sua eficácia espiritual, isto é, pedagógica e purificadora |
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